Vídeo do grupo na porta da residência cantando música feita especialmente para o amigo viralizou na web. Após a atitude do grupo, ele voltou às atividades, que tinha deixado de frequentar desde a morte da mãe.

Ainda em meio à dor de perder a mãe vítima de um aneurisma, Daniel Oliveira, 13 anos, encontrou conforto e carinho em uma homenagem recebida dos colegas da Guarda Mirim, em Aparecida de Goiânia. Triste pelo ocorrido, ele não estava participando das atividades do grupo, que organizou um ato solidário para auxiliá-lo: foi até a casa dele e começou a marchar em frente ao portão cantando um hino feito especialmente para o amigo (veja a letra abaixo).

A cena foi gravada na última terça (3) e viralizou nas redes sociais(veja vídeo acima). Bastante emocionado, Oliveira, como é conhecido no grupo, atendeu ao chamado, voltou às atividades e agradeceu por todo apoio.

“Muito emocionado, todo mundo veio reunido, me apoiando depois do que aconteceu. Fiquei muito emocionado. Estou um me adaptando já, estou me recuperando um pouco mais. Voltar à luta, à guerra e seguir em frente”, disse.

“Muito importante [a homenagem] para me levantar apesar do que aconteceu, sempre ficar forte. Sempre me apoiaram”, completou.

A mãe de Oliveira morreu no último sábado (29) e desde então, ele parou de frequentar as atividades. A força recebida pelos colegas o fez voltar ainda levar o irmão mais novo, Igor Oliveira.

O garoto relatou que a mãe se queixava de dores fortes na cabeça e acabou morrendo de forma inesperada.

“Ela estava sentindo uma forte dor de cabeça, sempre queria ir ao médico, fazer uma consulta. Ela fazia e falava que não dava nada. DE última hora, deu uma forte dor de cabeça, muito forte mesmo e ela faleceu. Estão muito abalados. Ela era muito amada por todos. Sempre ajudava todo mundo”, lembra.

Ele lembrou ainda que ela sempre lutou para que o filho vencesse na vida, fosse íntegro e honesto.

“Ela queria que eu me formasse, fosse alguém na vida. Crescer, ter um estudo bom, um trabalho, um emprego”, destaca.

‘Enxugue essas lágrimas’

A ideia de ir até a casa de Oliveira foi de uma das colegas da Guarda Mirim, Débora Cristina Moraes Nascimento, de 12 anos. Ela falou do simbolismo da atitude.

“Como ele perdeu a mãe, decidimos de alguma forma confortar o coração dele, sendo nós a própria família dele. Gostei de fazer isso porque a gente ajudando o próximo, tenho certeza que o próximo depois vai nos ajudar. Me senti bastante confortável com isso”, estimou.

Para apoiá-lo, o grupo criou uma canção especial falando sobre a morte da mãe e de como eles poderiam ajudá-lo a ser reerguer.

“Oliveira aí, nós estamos aqui

É chegada a hora, sabia que íamos vir

Ôôô, viemos te buscar

Enxugue essas lágrimas e vá para o teu lugar

Mas pode ter certeza, mãezinha meu amor

Seu filho vai lutar e será um vencedor “

A Guarda Mirim realiza um trabalho social com 120 crianças, com o intuito de incentivar valores éticos, morais e sociais às criança e adolescentes, bem como protegê-los de situações de vulnerabilidade.

O comandante do grupo, inspetor Célio Dias, disse que a atitude, que teve iniciativa das próprias crianças, serve como exemplo para todos.

“Nós fomos pegos de surpresa, mas ficamos muito felizes com essa ação das crianças porque isso partiu deles. Isso é um ensinamento para nós. Nós devemos aprender com eles essa questão de companheirismo e amizade”, comenta.

Por: Sílvio Túlio, G1 GO