É uma terminologia usada para o bem e para o mal, aos nascidos entre 1990 até 2010.

O modo que vi para caracterizar foi exagerar e talvez generalizar. Evidente que não são todos assim.  Mas…

Geração fortemente influenciada pelas novas tecnologias, por esta explosão digital que vivemos atualmente. São pessoas “nativas” nestas ferramentas: tem completa compreensão da tecnologia, afinal nasceram com ela.

É tida como a geração mais tolerante que já existiu. A mais aberta as diversidades que jamais vista. Encaram com extrema naturalidade a homossexualidade, as diferenças, e a igualdade de gênero.

São indivíduos sem máscaras, de um modo geral se mostram por inteiro, as vezes e frequentemente até em demasia.

 É a geração dos emojis, das carinhas tristes, alegres, envergonhadas já tão familiares até a nós de outras gerações. Inventaram os Memes. Tem humor fino e sem fronteiras

Eu digo que os Zs vivem a ressaca na internet! Fazem questão de parecerem felizes, embora as vezes… “Selfies”, vídeos, poses ensaiadíssimas, fazem a rotina e talvez uma as prioridades.

De um modo geral prezam a ética como jamais aconteceu. Os grupos – verdade que geralmente virtuais – os fazem unir neste pensamento, nesta corrente de ideias totalmente nova na sociedade humana.

Mas não é só pelo bem e o belo que podemos analisar a geração Z.

Surdos com seus fones de ouvido, ou de olhar quase cego e exclusivo nas telas. Desaprenderam a ler e a escrever. Nunca se escreveu tão mal e nunca se leu tão pouco. Jornais se fecham, ou são obrigados a editar notícias mais curtas possíveis, quase um “drops” pois a geração Z não tem paciência para textão, preferem o rápido.

E as músicas que eles ouvem então… meu Deus! Como acabaram assim com a música! Não tem tímpanos? Coisa horrível que a geração Z fez com a música.

Quartos trancados. Alto grau de exigência. Alimentam-se mal: ou muito restritivos ou muito permissivos (a febre dos Ifoods que o diga). Em meu consultório nunca vi tanto veganista, vegetariano. Até lactentes os pais da geração Z exigem, e obrigam a nós Pediatras a fazer mágica para elaborar dieta relativamente balanceada sem proteína animal.

Não toleram ser confrontados especialmente por mais velhos, sejam os pais ou patrões.

Sonham em ser Youtuber. Blogueira. Vlogueira, Digital influencer.

Estudar muito não, entrar na faculdade talvez, mas esta não pode ser muito exigente, tem que ser interativa, compreensiva e permissiva e nada mais. E que dê o diploma sem muito questionamento. Não raro iniciam uma faculdade e depois de 1 ou 2 anos percebem que não era aquilo que queriam e pulam para outra e outra e outra faculdade.

Não toleram a frustração, isto é verdade.

Houve e há incidência jamais vista de suicídios entre estes jovens. Não podem ouvir não, o não vira um drama. Drogas? É quase normal.

Se a corrente vai para cima, logico que vão para baixo. Minha turma vai e ai vamos nós. Argumentadores ensaiados. Surdos para evidências as quais consideram sempre e sempre interesses escusos e mercantilistas (e as vezes o é mesmo).

Esta adolescência que nunca acaba.

Claro que resvalei para o estigma e para generalização como alertei. 

Mas o pior: não estamos sabendo lidar com esta geração.

Precisamos estudar mais esta geração, nos pegaram de surpresa.

E junto com eles esmerilhar, tentar resolver estes dilemas. Não mudando, que não há que mudar. Talvez corrigir as distorções e exageros. Estamos nas mãos dos Hebiatras que não tem sido, vamos dizer assim capazes de ensinar a nós de outras gerações, a forma de entender e lidar melhor a Geração Z, sem resvalar para o estigma, preconceito e generalização como eu mesmo fiz neste texto, confesso e me condeno.

 Dr. Edson Lopes Libanio é o atual Presidente da Regional Sul da Sociedade Mineira de Pediatria (pela 5º vez). É diretor Médico da Clínica Baependi.  Foi diretor algumas vezes da Sociedade Mineira de Pediatria e da Sociedade Brasileira de Pediatria. Foi Auditor Medico do Ministério da Saúde por 30 anos. Foi Pediatra da SES MG. Tem inúmeros outros cargos classistas em sua história de vida, desde Diretor Clínico do HCMR, algumas vezes até da diretoria da AMMG. Mas gosta de ser apresentado mesmo como um Pediatra do interior.