Nordestino amigo triste,

que na caminhada infame e incerta

trazes no olhar o retrato da miséria,

ao ver a seca a rachar teu chão,

tirando da prole faminta, o último pedaço de pão.

Tua luta é árdua, mas resta a esperança,

de que tua vista no horizonte alcance

um lugar onde a fome não passe,

onde a cruel sede não te mate

onde o verme não devore tua carne…

Vá nordestino,

caminhes sabe Deus prá onde,

ofegante, faminto, sedento,

como uma folha solta ao vento.

Vá, lá adiante encontrarás alento,

por certo terás um pedaço de chão,

de onde arrancarás, com teus braços fortes

livrando tua prole da morte,

o teu suado e bendito pão!