-DR. EDSON LOPES LIBÂNIO –

Especialista em Pediatria – Registro no Conselho Federal de Medicina – 9822

Residência Médica em Pediatria no Centro Médico Naval Marcílio Dias – RJ

Tel: 35 3343 11 66

                        Proliferam-se em todo mundo os grupos antivacinas. Às vezes são seletivos e “contra indicam” apenas uma ou outra vacina, às vezes são radicais e não querem que se vacine e ponto. Para justificar esta estupidez usam os mais variados (e esdrúxulos) argumentos: “sobrecarga imunológica”, malefícios de adjuvantes como o timerosal e alumínio, para efeitos que levariam ao Autismo ou doença de Parkinson, AIDS etc, etc, etc. Felizmente tem havido, embora tardiamente, reações. A mais radical que tenho notícia é de alguns Estados Americanos que impedem que crianças frequentem escolas e os pais processados e sujeitos a multas de até 100 mil dólares. Ainda acho pouco.

Não há o menor argumento científico que se justifique tais argumentos destes grupos. Todos os estudos randomizados e controlados por universidades isentas, mostram que vacinas são muito eficazes e compensam com a imunidade contra doenças graves os efeitos colaterais, que geralmente se resumem a febre e reações locais. As convulsões, raríssimas, não deixam sequelas (fora o susto!).

Costumo falar que vacinas são poções mágicas, um mundo fantástico, e o maior avanço da humanidade que salva a vida e evita sofrimentos.

Queria falar sobre o alumínio nas vacinas, um dos argumentos mais recorrentes destes grupos para não vacinar as crianças, o que tem levado ao reaparecimento de doenças praticamente erradicadas e consequentemente mortes por sarampo, coqueluche, difteria, coqueluche e hepatite B.

O ALUMÍNIO NAS VACINAS

O alumínio está presente em algumas vacinas como adjuvante na forma de hidróxido, fosfato ou hidroxifosfato de alumínio. O adjuvante é acrescentado às vacinas para aumentar a resposta de imunização e certas vacinas precisam dele para garantir a sua eficiência. As vacinas que contêm um adjuvante são basicamente aquelas contra difteria, tétano, coqueluche e hepatites A e B. Observou-se que, sozinhas, essas vacinas não eram suficientemente eficientes e os compostos de alumínio são adjuvantes comumente utilizados para essa finalidade. As únicas reações conhecidas que possam ser eventualmente atribuídas ao alumínio contido nas vacinas são reações inflamatórias localizadas.

Por recomendação da OMS, foi iniciado um estudo para estabelecer se existe ou não uma associação entre as lesões locais do tipo MMF e qualquer doença generalizada.  A evidência mais recente (novembro de 2017) retirada desse estudo sugere que não há motivo para se concluir que a administração de vacinas contendo alumínio possa significar um risco para a saúde ou que a prática atual de vacinação precise ser modificada.

As vacinas contendo alumínio fazem mal?

Há uma grande confusão e muita desinformação em relação aos perigos do alumínio nas vacinas.

O primeiro dado que é preciso ser destacado é o fato do alumínio ser usado de forma segura nas vacinas desde a década 1930. Literalmente, bilhões de pessoas já foram vacinadas com esse adjuvante. Poucos são os fármacos com tanto tempo de experiência e tantas doses administradas.

O alumínio nas vacinas é seguro porque quantidade presente é muito baixa, variando entre 0,225 mg e 1,5 mg por dose.

Considerando os diferentes tipos de vacina e doses de reforço, a dose máxima que uma pessoa recebe em toda a sua vida seria de 15 mg. A dose real, porém, é mais baixa, pois a maioria das injeções apresenta menos de 0,6 mg de alumínio por dose.

Mesmo em crianças com menos de 1 ano, a quantidade de alumínio absorvida pela vacinação encontra-se muito abaixo do nível considerados perigoso.

Um adulto ingere, em média, até 9 mg de alumínio por dia, mas o consumo pode ser bem maior.

Por exemplo, uma fatia de pão feito com fermento em pó à base de alumínio contém até 15 mg de alumínio e alguns tipos de queijo processado podem conter até 50 mg de alumínio por fatia. Até no leite materno há alumínio, cerca de 0,04 mg por litro.

Alguns tratamentos médicos voltados para alergia, como a imunoterapia, chegam a administrar por via subcutânea mais de 350 mg de alumínio nos pacientes, uma quantidade bem maior que os 10 mg que todas as vacinas juntas costumam conter.

A quantidade de sais de alumínio em cada tipo de vacina costuma ser a seguinte:

Vacina pneumocócica – 0,125 mg / dose.

Vacina contra difteria-tétano-coqueluche acelular (DTaP) – 0,33 a 0,625 
mg / dose.

Vacina contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib) – 0,225 mg / dose.

Vacina contra a hepatite A (Hep A) 0,225 a 0,25 mg / dose (crianças) e 0,45 a 0,5 mg/dose (adultos).

Vacina contra hepatite B (Hep B) – 0,225 a 0,5 mg / dose (pediatria) e 0,5 mg / dose (adultos).

Vacina contra Hep A / Hep B – 0,45 mg / dose.

Vacina DTaP / poliomielite inativada / vacina contra hepatite B – 0,85 mg / dose.

Vacina DTaP / poliomielite inativada / Hib – 0,33 mg / dose.

Vacina contra o papilomavírus humano (HPV) – 0,5 mg / dose.

Vacina anti-meningocócica B – 0,25 – 0,52 mg / dose.

Vacina DT – 0,53 – 1,5 mg / dose.

Como se observa a quantidade de alumínio é irrisória nas vacinas, inócuo e não se sustenta cogitar a contraindicação de vacina por causa dele.