O JORNAL PANORAMA, através de seus amigos parceiros, traz para todos os leitores Colunas especiais, com assuntos diversos. Na Coluna Saúde, Dr. Edson Lopes Libânio, de Baependi, possibilita a todos informações e conhecimentos importantes, principalmente aos pais. Desejamos uma boa leitura.

Coluna Saúde

Por Edson Lopes Libânio

Faz parte do dia a dia de todo Pediatra os questionamentos em relação a “coceira, incômodos, dores” na boca, no ânus e na genitália das crianças.

Espertamente, como sempre, a indústria invade as prateleiras das farmácias com pomadinhas e pozinhos com a finalidade de resolver ou melhorar estes sinais, que ocorrem com maior ou menor expressão em todas as crianças.

Mas qual seria a causa destes “incômodos” que todas as crianças passam em maior ou menor intensidade.

Sigmund Freud, um dos pais da Psicologia, esclarece com clareza.

Após a leitura veremos que são totalmente desnecessários estes medicamentos, pois tratam-se de fenômenos normais, esperados e benéficos ao desenvolvimento das crianças.

A expressão varia de criança para criança podendo cada fase ser mais ou menos pronunciada.

Fase oral


Do nascimento até os 18 meses, a boca é o órgão mais importante para a criança. É por meio da sucção que ela se alimenta e sobrevive. O contato com o seio da mãe proporciona conforto, segurança, amor e aconchego. Por volta dos 3 meses, quando consegue pegar alguma coisa, imediatamente a leva até a boca. É por meio dela que a criança explora os objetos e aprende sobre suas características, se é macio ou áspero, duro ou mole. De fato, o ato de manipular a boca ou sugar objetos nada tem a ver com a erupção de dentes, daí a não necessidade de usar medicamentos ou pomadas nas gengivas ou dentes.

Dica: não force a situação nem impeça o bebê de explorar o mundo com a boca ou de chupar o dedo ou a chupeta. Mantenha os brinquedinhos bem limpos, lavados com água e sabão diariamente. Lembre-se que nada tem a ver com a dentição e não deve ser usado nenhum produto, medicamento, ou pomadinhas.

 

Fase anal

Ocorre entre os 2 anos e os 3 a 4 anos.

Acompanhando a maturidade fisiológica para controlar os esfíncteres, a atenção da criança dirige-se da zona oral para a zona anal. É comum nesta fase a manipulação anal e o prurido anal; e até mesmo dor no anus e na uretra. Exames em exagero e até mesmo uso de medicamentos e questionamentos frequentes pioram estes sintomas.

Fase fálica

Justamente entre  4 a 8 anos. Freud define a fase fálica subsequente às fases oral e anal, que são organizações pré-genitais. Comum nesta ocasião a manipulação do genital, sensação de dor no pênis, dor na genitália, coceira na genitália, ardor. Essa fase corresponde à unificação das pulsões parciais sob a primazia dos órgãos genitais, sendo uma organização da sexualidade muito próxima àquela do adulto (fase genital).

Então: Resumindo, estes sinais fazem parte do desenvolvimento normal e não devem ser medicados.

DR. EDSON LOPES LIBÂNIO –

Especialista em Pediatria – Registro no Conselho Federal de Medicina – 9822

Residência Medica em Pediatria no Centro Médico Naval Marcílio Dias – RJ

Dr. Edson Lopes Libânio é o atual Presidente da Regional Sul da Sociedade Mineira de Pediatria (pela 5º vez). É diretor Médico da Clínica Baependi.  Foi diretor algumas vezes da Sociedade Mineira de Pediatria e da Sociedade Brasileira de Pediatria. Foi Auditor Medico do Ministério da Saúde por 30 anos. Foi Pediatra da SES MG. Tem inúmeros outros cargos classistas em sua história de vida, desde Diretor Clinico do HCMR algumas vezes até da diretoria da AMMG. Mas gosta de ser apresentado mesmo como um Pediatra do interior.